Cistos de Ovário em jovens: Sinais, sintomas e tratamentos

Cistos de Ovário são condições ginecológicas bastante comuns e podem surgir em diferentes faixas etárias.
Os cistos podem ter diferentes origens e manifestações, sendo que grande parte deles é benigna.
Mesmo assim, é fundamental que mulheres com sintomas sugestivos procurem acompanhamento médico para avaliação e tratamento adequado.
Neste artigo, você vai entender o que são esses cistos, como identificá-los, quais os tratamentos disponíveis e se existem particularidades quando ocorrem em jovens.
Continue a leitura para conferir!
O que são cistos de ovário?
Os “Cistos de Ovário“ são bolsas preenchidas por líquido que se formam na superfície ou dentro do ovário.
Esses cistos podem variar em tamanho, forma e origem, com características que determinam sua gravidade e necessidade de intervenção.
Em jovens, a maioria dos cistos é classificada como funcional, ou seja, está diretamente associada às alterações normais do ciclo menstrual.
Esses cistos geralmente não representam risco e tendem a desaparecer sozinhos após alguns ciclos.
Outros tipos de cistos, como os hemorrágicos, endometriomas e teratomas, podem ser mais complexos.
Além disso, existem outros tipos de cistos benignos, como os que estão associados a condições específicas como a síndrome dos ovários policísticos (SOP) e a endometriose.
Ademais, outros cistos podem ser decorrentes de fatores como cirurgias prévias ou tumorações no ovário benignas ou malignas (câncer).
Quais considerações são importantes sobre cistos de ovário especificamente em jovens?
Em primeiro lugar, é preciso entender que cistos de ovário não é a mesma coisa que síndrome dos ovários policísticos (SOP).
A SOP é um distúrbio endócrino que provoca alterações hormonais, levando à formação dos cistos.
Ela geralmente apresenta múltiplos cistos pequenos, com cerca de 10 mm de diâmetro, em todo o ovário.
Os cistos de ovário podem surgir mesmo em quem não tem SOP, aparecendo geralmente em quantidade menor, mas podendo ter um tamanho maior.
O diagnóstico incorreto de SOP em adolescentes
É preciso saber que a síndrome dos ovários policísticos só pode ser diagnosticada de forma certeira depois de oito anos da primeira menstruação.
Assim, durante a adolescência, geralmente é possível apenas verificar a maior ou menor probabilidade de uma pessoa ter esse diagnóstico futuro.
Durante os anos iniciais após a primeira menstruação, existe uma imaturidade do eixo que controla a produção hormonal, sendo que os ‘desequilíbrios’ hormonais , ausência de ovulação, ciclos irregulares e presença de sintomas como acne e aparecimento de alguns tipos de pêlos pode ser normal.
Os sintomas da SOP não são necessariamente indicativos imediatos da síndrome.
Eles podem ocorrer porque o corpo passa por muitas mudanças hormonais durante a adolescência, e adaptações naturais podem ser confundidas com sinais precoces.
O diagnóstico incorreto de SOP em adolescentes pode levar a medidas de tratamento desnecessárias ou exageradas, o que pode ter efeitos adversos no desenvolvimento e saúde emocional.
Contudo, a partir de 2 anos após a primeira menstruação, podemos começar a observar pacientes que podem ter ‘risco aumentado para SOP’ no futuro.
Portanto, é preciso ter cuidado ao considerar os sintomas dessa condição em adolescentes, informar pacientes e responsáveis e manter o acompanhamento clínico.
Além disso, precisamos entender que, embora não possamos diagnosticar assertivamente a SOP em adolescentes, podemos diagnosticar cistos de ovário.
Quais são os principais sinais e sintomas?
Embora muitos cistos de ovário sejam assintomáticos, alguns podem causar desconforto significativo.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- Dor pélvica: Geralmente localizada no lado do ovário afetado, pode ser contínua ou intermitente.
- Aumento do volume abdominal: A presença de cistos grandes pode levar a uma sensação de inchaço ou pressão.
- Alterações menstruais: Menstruações irregulares ou dolorosas podem ser um sinal de cistos ou de condições associadas, como a SOP.
- Desconforto durante relações sexuais: Especialmente se o cisto for grande ou estiver em posição que interfira nas estruturas vizinhas.
- Problemas urinários ou intestinais: A compressão de órgãos próximos, como bexiga ou intestino, pode causar sintomas como urgência urinária ou constipação.
Existem casos emergenciais de cistos de ovário?
Nos casos mais graves, o cisto pode romper ou torcer, gerando dor intensa, náusea, vômitos e / ou febre, o que configura uma emergência.
A paciente deve receber ajuda médica o mais rápido possível nessa situação, a fim de evitar hemorragias internas e de aumentar a chance de se preservar o ovário acometido.
Como é feito o diagnóstico de cistos de ovário?
O diagnóstico de cistos de ovário geralmente envolve exames clínicos e de imagem.
Durante a consulta, o médico pode avaliar os sintomas relatados pela paciente e, se necessário, solicitar exames como ultrassonografia transvaginal, que é o método mais simples para identificar e caracterizar os cistos.
Além disso, em casos suspeitos para câncer ou mais complexos, podem ser realizados exames de sangue para medir marcadores tumorais, que auxiliam na diferenciação entre cistos benignos e malignos, no diagnóstico da origem do cisto e no planejamento terapêutico. A ressonância magnética é um exame de imagem que também pode trazer informações adicionais preciosas.
Como funciona o tratamento dos cistos de ovário?
O tratamento depende de fatores como o tipo e o tamanho do cisto, os sintomas apresentados, a idade da paciente e seu desejo reprodutivo.
As principais opções incluem:
- Acompanhamento clínico: Cistos funcionais e pequenos podem ser monitorados regularmente, uma vez que tendem a desaparecer sozinhos.
- Tratamento medicamentoso: Hormônios, como pílulas anticoncepcionais, podem ser usados para regular o ciclo menstrual e prevenir a formação de novos cistos.
- Cirurgia: Indica-se cirurgia em casos de cistos grandes, persistentes ou suspeitos de malignidade. A retirada do cisto deve ser feita de forma cuidadosa, preferencialmente por um especialista em ginecologia oncológica.
Quando procurar uma ginecologista?
É essencial que jovens com sintomas persistentes ou desconforto significativo busquem atendimento ginecológico.
A avaliação precoce pode prevenir complicações, como a ruptura ou torção do cisto, e garantir o tratamento adequado para cada caso.
Vale reforçar que, em situações como as comentadas acima, de casos emergenciais, é necessário buscar ajuda de serviços de emergência em primeiro lugar.
Se você suspeita de cistos de ovário, agende uma consulta para esclarecer suas dúvidas e obter um diagnóstico preciso!
Estou à disposição para orientá-la e ajudar a entender o seu caso. Não deixe de visitar meu site para mais informações!
Dra. Paula Deckers
Ginecologista Obstetra
Especialista em Endoscopia Ginecológica / Cirurgia minimamente invasiva
Ginecologista Oncológica
CRM: 168500 – SP | RQE 114443
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