Câncer no colo do Útero estágio 1 tem cura?

O Câncer no colo do Útero é uma das neoplasias mais comuns em mulheres em todo o mundo, mas, graças aos avanços no diagnóstico precoce e nos tratamentos disponíveis, a taxa de cura nos estágios iniciais é altamente promissora.
O estágio 1, em particular, representa a fase em que o câncer está limitado ao colo do útero, sem se espalhar para áreas vizinhas ou distantes.
Esse estágio é crucial para o sucesso do tratamento, pois oferece uma ampla gama de opções terapêuticas e altas chances de recuperação completa.
Hoje vou explicar as características desse estágio, suas opções de tratamento e o que isso significa para as pacientes.
Continue a leitura para saber mais!
O que significa o estágio 1 do câncer do colo do útero?
No estágio 1 do “Câncer no colo do Útero“, o tumor é invasivo, mas permanece confinado ao tecido cervical. Esse estágio é subdividido em dois grupos principais:
- Estágio IA (microinvasor): O tumor invade menos de 3 mm de profundidade no tecido do colo do útero e possui menos de 7 mm de extensão horizontal. Esse é o nível mais inicial de câncer invasivo.
- Estágio IB (invasor): A invasão é mais extensa, ultrapassando 3 mm de profundidade e podendo atingir até 4 cm de tamanho, mas ainda está restrita ao colo do útero.
Essas classificações ajudam os médicos a determinar a abordagem de tratamento mais eficaz para cada caso, além de prever o prognóstico, que é geralmente favorável.
Quais são as causas e fatores de risco?
O câncer do colo do útero está fortemente associado à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV).
Estudos indicam que cerca de 70% dos casos estão relacionados a subtipos de alto risco do HPV, como os tipos 16 e 18.
Outros fatores de risco incluem tabagismo, múltiplos parceiros sexuais, histórico de infecções sexualmente transmissíveis, imunossupressão e predisposição genética.
É importante destacar que, embora o HPV seja uma causa primária, muitos fatores comportamentais e ambientais podem influenciar a progressão de lesões pré-cancerosas para o câncer invasivo.
Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce desempenham um papel vital na redução da incidência dessa doença.
Quais são os sintomas do estágio 1?
Ausência de sintomas
Muitas vezes, o câncer do colo do útero em estágio 1 não apresenta sintomas evidentes, o que reforça a importância de exames regulares, como o Papanicolau e a colposcopia (quando indicada) e pesquisa de DNA HPV.
Sintomas possíveis
Quando os sintomas estão presentes, podem incluir:
- Sangramento vaginal anormal: Geralmente ocorre entre períodos menstruais, após relações sexuais ou na pós-menopausa.
- Corrimento vaginal anormal: Pode ser aquoso, com odor desagradável ou conter vestígios de sangue.
- Dor pélvica: Em casos mais avançados dentro do estágio, a paciente pode sentir desconforto ou dor constante na região pélvica.
Esses sintomas, apesar de inespecíficos, não devem ser ignorados, pois podem indicar a presença de alterações cervicais que necessitam de investigação imediata.
Quais são os tratamentos disponíveis para o estágio 1 do câncer no colo do útero?
O estágio 1 do câncer do colo do útero é altamente tratável, com diferentes opções dependendo do subestágio e das condições individuais da paciente, como idade, desejo de preservar a fertilidade e estado geral de saúde.
Procedimentos conservadores
Para pacientes com estágios iniciais e desejo de preservar a fertilidade, os tratamentos conservadores são frequentemente recomendados. São exemplos:
- Conização: Um procedimento cirúrgico minimamente invasivo que remove uma porção em formato de cone do tecido cervical onde as células cancerígenas estão localizadas.
- LEEP (excisão eletrocirúrgica com alça): Método que utiliza corrente elétrica para remover o tecido afetado.
- Traquelectomia radical: inclui a retirada do colo do útero com a preservação do corpo uterino e geralmente está associado à parametrectomia (retirada dos ligamentos que sustentam o útero) e retirada dos linfonodos sentinela (ínguas de drenagem do útero) ou de todos dos linfonodos da pelve. Esses procedimentos costumam ser eficazes em casos de câncer microinvasor e invasor inicial e apresentam baixos índices de recorrência do câncer, apesar de estarem associados a maiores riscos na gestação como de incompetência do ístmo.
Histerectomia
Nos casos em que a preservação da fertilidade não é uma prioridade ou quando o câncer é mais avançado, a histerectomia pode ser necessária:
- Histerectomia total: Remoção do útero e colo do útero.
- Histerectomia radical: Além do útero e colo, remove-se o tecido circundante de sustentação do útero (paramétrios), o ⅓ superior da vagina e dos linfonodos pélvicos.
Terapias complementares
Em alguns casos de estágios iniciais com características de alto risco, ou se a peça retirada na cirurgia revela um estágio mais avançado do que foi inicialmente suspeitado, a cirurgia deve ser complementada com radioterapia e/ou quimioterapia para eliminar células cancerígenas residuais e prevenir recorrências.
Prognóstico e chances de cura
O prognóstico para o câncer do colo do útero em estágio 1 é excelente.
A taxa de sobrevivência em 5 anos para o estágio IA ultrapassa 95%, enquanto para o estágio IB varia entre 80% e 90%, dependendo da extensão do tumor e das terapias empregadas.
O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são os principais fatores que contribuem para essas taxas elevadas de cura.
Além disso, o acompanhamento regular após o tratamento é essencial para monitorar possíveis recorrências e garantir a saúde a longo prazo.
Prevenção: o melhor remédio
Embora o estágio 1 do câncer do colo do útero tenha altas chances de cura, a prevenção continua sendo a abordagem mais eficaz para combater essa doença.
A vacinação contra o HPV, associada a exames ginecológicos regulares, pode reduzir drasticamente a incidência de lesões pré-cancerosas e cânceres invasivos.
Além disso, adotar hábitos saudáveis, como evitar o tabagismo e utilizar métodos contraceptivos de barreira, também desempenha um papel importante na prevenção.
Em resumo, o câncer do colo do útero em estágio 1 tem cura e as chances são extremamente altas. Se você ou alguém próximo recebeu esse diagnóstico, saiba que há diversas opções terapêuticas disponíveis. Investir na prevenção também é essencial quando falamos dessa doença.
Convido você a visitar meu site para mais informações. Também fico à disposição para conversarmos em uma consulta!
Dra. Paula Deckers
Ginecologista Obstetra
Especialista em Endoscopia Ginecológica / Cirurgia minimamente invasiva
Ginecologista Oncológica
CRM: 168500 – SP | RQE 114443
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